quarta-feira, 25 de agosto de 2010
domingo, 22 de agosto de 2010
| A Chita na Moda |
Curadoria: Dudu BertholiniA exposi��o apresentou as concep��es de 11 estilistas brasileiros sobre a chita, o �tecido ordin�rio de algod�o e estampado em cores� que virou vestidinho de menina nas quadrilhas juninas e toalha de mesa em casa de pau-a-pique pelos cantos do Brasil. Visando expressar o que de melhor tem esse tecido, os estilistas Amap�, Andr� Lima, Gl�ria Coelho, Karlla Girotto, Lino Villaventura, Madalena, Marcelo Sommer, Neon, Raia de Goye, Reinaldo Louren�o e Ronaldo Fraga criaram pe�as exclusivas para a exposi��o. A designer Sonia Kiss desenvolveu bolsas em chita.
A hist�ria da chita traz um pouco da trajet�ria da alma brasileira. Passado, presente, trabalho, castigo, festa, cria��o, arte, inf�ncia, mal�cia e uma alegria descarada se combinam nas cores e misturas descontroladas das estampas, que vestiram escravos, camponeses, tropicalistas, personagens da literatura, teatro, novela e cinema, sem perder a inoc�ncia.
A chita tem ancestrais ilustres: surgiu na �ndia medieval e conquistou europeus em um sentido invertido ao da coloniza��o. Seu nome vem do s�nscrito e atravessa idiomas. Hoje, o que se chama de chita n�o � mais de puro algod�o, e nem todo pano de algod�o estampado � chita. As estampas s�o muitas, e n�o s� de flores.
�Homenagear a chita se inscreve dentro da diretriz atual do Museu de dar visibilidade � imensa riqueza e diversidade cultural brasileira�, diz Ad�lia Borges, diretora do MCB. Ela defende essa postura n�o com um olhar nost�lgico, mas com a vis�o em que se forja o nosso futuro a partir de nossas ra�zes culturais.
Chita – Tecido de algodão com desenho de grandes flores coloridas. Surgiu na Índia e, devido às grandes navegações, conquistou a Europa.
Chita quer dizer variado. E essa é a maior qualidade desse tecido que, também devido às grandes navegações e por causa da diversidade de estampas que pode carregar, notadamente as florais, tornou-se popular.
A Chita pelo Mundo
Antes de Chegar ao Brasil
Na Itália, a moda de tecidos florais assumiu importância exagerada durante muito tempo. Séculos depois, a padronagem desse tecido recebeu a influência das expedições e das grandes viagens pelo mundo.
Nos Estados Unidos, que já possuíam as primeiras máquinas de estampar, o tecido ganhou força com flores miúdas (ainda tão comum nos dias de hoje). Por ser um pano ordinário de algodão, era trabalhado à mão em bancas de estampar pelo impressor e pelo pintor de cores, ajudado por aprendizes.
A Chita no Brasil
A história da Chita traz muito da trajetória do Brasil. Do passado, ela tem a marca do castigo, da festa, da criação, da arte, do trabalho, da simplicidade, da malícia e, ao mesmo tempo, uma alegria escancarada que combina cores e misturas descontroladas nas estampas que vestiam escravos, camponeses, tropicalistas, personagens literários, teatro, novela e cinema, sem perder sua inocência.
A chita veio para o Brasil trazida pelos portugueses. Aqui, como em outros lugares inicialmente, era um pano usado para forrar mesas em casa de pau-a-pique. Depois, foi sendo utilizada em cortinas, colchas de cama, colchões, etc. Mais tarde, pessoas que trabalhavam na roça e de baixo poder aquisitivo começaram a usá-la como roupa.
Com a transferência da Casa Real portuguesa para o Brasil, deu-se início à indústria têxtil em solo nacional. Pois, com a Família Real, chegaram ao Brasil os primeiros empresários do ramo, que aqui montaram fábricas de estamparias para efetivar a produção local de algodão estampado. O uso dessa matéria-prima aparentemente comum caiu no gosto do povo. Com a força do colorido brasileiro estampado na fauna e na flora e com um toque de brasilidade todo especial, o tecido popularizou-se e virou moda.
Hoje, o que se chama de chita não é mais que puro algodão, nem todo pano de algodão estampado é chita. As estampas são muitas e não são só flores. O pano que, no início, servia de toalha de mesa hoje empresta sua estampa para designers que são a sensação de grandes nomes do Brasil. O requinte fica por conta da harmonia ímpar das cores e das estamparias que, unidas ao corpo da brasileira, adquirem movimento e vida transformando-se numa diversidade única e bela.
E, assim, o mais simples dos tecidos de algodão estampado, com suas cores e sua “brasilidade”, ganhou fama. Os grandes nomes da moda deram à chita um tratamento e um refinamento de tal forma que é com ela que eles representam o Brasil no exterior. Até a alta costura resolveu apostar na chita. Recentemente, estilistas brasileiros e designers de calçados mostraram versões fashion do tecido no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo, na exposição Chita na Moda. Numa visão que forja o nosso futuro a partir das nossas“raízes culturais”.
A chita, para nós, brasileiros, não é apenas um tecido. É uma história de vida. Vida de um povo, vida de um país.
| | Pesquisa e elaboração: Profa. Magnólia Cerqueira |

